O Fiat 147, lançado em 1976, marcou o início da produção da fábrica de Betim (MG) e se tornou um ícone no Brasil. Para celebrar os 50 anos da marca no país, a versão luxuosa do modelo, o Fiat Spazio, lançado em 1983, é destaque. Um exemplar do Fiat Spazio CL 1983/1983 está à venda em São Caetano do Sul (SP). O proprietário, Nelson Tadeu, afirma que o carro é 100% original, incluindo a pintura bege, que apresenta pequenos retoques quase imperceptíveis. O interior, com tons de marrom e bege, reflete um acabamento cuidadoso.
As dimensões do Fiat Spazio 1983 são de 3,7 m de comprimento, 1,5 m de largura, 1,3 m de altura e 2,2 m de entre-eixos. Nelson, aposentado e colecionador de carros antigos, compartilha que ter um Spazio é significativo para ele, pois representa memórias do passado. Ele já teve outros modelos, como o 147 GL, além de clássicos como o Volkswagen Fusca e o Ford Del Rey.
O Fiat 147/Spazio é lembrado por várias inovações. O modelo foi um dos primeiros a apresentar motor dianteiro transversal, otimizando o espaço interno. Em 1979, o Fiat também se destacou ao introduzir o uso de álcool como combustível, uma prática que se popularizou nos veículos híbridos e flex atuais.
O Fiat Spazio 1983, apelidado de “cachacinha” devido ao cheiro do álcool no escapamento, traz à tona memórias afetivas para muitos entusiastas. O motor Fiasa 1.3 (1.297 cm³) oferece uma potência de 62 cv e torque de 10 kgfm a partir de 2.600 rpm. O modelo, mesmo na versão de entrada CL, apresenta um acabamento superior em comparação ao 147, com bancos redesenhados e uma coluna de direção mais baixa, proporcionando uma melhor posição de dirigir.
Em 2019, o Spazio CL 1983 foi premiado no 6° Encontro Brasileiro de Autos Antigos de Águas de Lindóia, destacando-se como um importante testemunho de sua época. O valor de venda do carro é de R$ 45.300, refletindo seu status como peça de coleção.
O Fiat Spazio foi o último integrante da família 147 a ser lançado no Brasil, chegando após o hatch, a perua Panorama e o sedã Oggi. Diferente do 147 C, que continuou como modelo de entrada, o Spazio apresentava uma nova frente levemente inclinada, faróis e logotipo exclusivos, seguindo tendências europeias. A traseira contava com lanternas horizontais e um vidro traseiro 20% maior, conferindo um ar mais moderno ao hatch.
O interior do Fiat Spazio 1983 foi totalmente redesenhado, com novos instrumentos e comandos, além de um volante reformulado. O revestimento das portas, teto e bancos foi aprimorado, reforçando a ideia de um carro superior ao 147. As versões disponíveis incluíam CL, CLS e TR, diferenciadas pelo nível de acabamento e motorizações. A versão mais simples contava com motor Fiasa de 1.050 cm³ (52 cv a gasolina) e 1.300 cm³ (62 cv a álcool e 61 cv a gasolina), com opções de câmbio de quatro ou cinco marchas. A versão TR, com um toque esportivo, elevava a potência do motor 1.3 para 72 cv.
Em 1982, a Autoesporte testou a versão intermediária CLS do Fiat Spazio, elogiando seu comportamento dinâmico e a suspensão recalibrada, que proporcionava um rodar mais suave. A revista destacou uma redução de 10% no coeficiente de resistência aerodinâmica (Cx), o que deveria resultar em melhor desempenho e economia, especialmente com o câmbio de cinco marchas opcional.
Diferente do Fiat 147, que permaneceu em produção até 1986, o Spazio teve uma vida mais curta, sendo descontinuado em 1984 para dar lugar ao Uno, que se destacou no mercado em comparação a rivais como Ford Escort, Volkswagen Gol e Chevrolet Chevette.
O Fiat Spazio 1983, com seu motor 1.3, é um exemplo de como a marca se adaptou às necessidades do mercado e dos consumidores. O modelo continua a ser uma lembrança significativa da história automotiva brasileira, refletindo a evolução da Fiat no país.
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Via Autoesporte

