O zero estrela obtido pelo Chery Tiggo 2 Pro no Latin NCAP acende um alerta importante para quem considera comprar um Tiggo 3X usado. No entanto, o resultado não pode ser transferido automaticamente ao modelo vendido no Brasil, porque o veículo ensaiado tem outra origem e outra configuração.
O teste divulgado em 28 de outubro de 2026 avaliou um Chery Tiggo 2, também identificado como Tiggo 2 Pro e Tiggo 2 Pro Max em alguns mercados. O exemplar foi fabricado na China e tinha quatro airbags de série. Já o Caoa Chery Tiggo 3X comercializado no Brasil saiu da fábrica de Jacareí (SP), deixou de ser vendido em 2022 e utilizava motor 1.0 turboflex, além de apenas dois airbags dianteiros.
O que o teste do Tiggo 2 Pro mostrou
O Latin NCAP registrou 0% na proteção de ocupantes adultos e 0% na proteção de crianças. O modelo alcançou 48,89% na proteção de pedestres e usuários vulneráveis e 45,45% em sistemas de assistência à segurança. A entidade também apontou estrutura e região dos pés instáveis no impacto frontal, proteção pobre para o tórax do motorista e risco de incêndio após a colisão.
O veículo chinês ainda não oferecia proteção lateral de cabeça como item de série. Por isso, o teste de impacto contra poste não foi realizado. O relatório também citou a ausência de pré-tensionadores e limitadores de carga nos cintos traseiros, além de proteção entre marginal e pobre para o pescoço dos ocupantes em impactos traseiros.
Esses são problemas graves do exemplar testado e indicam que a família de projeto merece atenção. O resultado completo pode ser consultado na divulgação oficial do Latin NCAP.
Por que o Tiggo 3X brasileiro não recebeu essa nota
O parentesco entre os modelos existe. O teste brasileiro do Tiggo 3X publicado em 2021 descreveu o SUV nacional como montado sobre a base conhecida do Tiggo 2. Porém, isso não significa que todas as peças estruturais, sistemas de retenção e calibrações sejam iguais.
O Tiggo 3X nacional tinha motor 1.0 turboflex, câmbio CVT, controles de estabilidade e tração e dois airbags dianteiros, conforme a ficha técnica do teste da Webmotors WM1. O veículo analisado pelo Latin NCAP, por outro lado, tinha quatro airbags e motorizações diferentes, além de ser produzido na China.
Airbags não determinam sozinhos o desempenho de uma carroceria. Eles trabalham em conjunto com cintos, bancos, sensores, módulos eletrônicos e zonas de deformação. Ainda assim, a diferença de dois para quatro bolsas altera a proteção disponível e impede uma comparação direta de equipamentos.
O protocolo de 2026 também muda a leitura
O teste do Tiggo 2 Pro inaugurou o protocolo 2026 do Latin NCAP. A metodologia passou a considerar, entre outros pontos, ocupantes adultos de baixa estatura no banco traseiro, uma criança de dez anos, novos cenários de impacto e requisitos mais amplos para assistência à segurança.
Assim, uma nota obtida agora não deve ser comparada de forma simples com avaliações antigas. Um carro testado sob uma metodologia anterior pode ter recebido mais estrelas porque o instituto ainda não exigia os mesmos critérios. Isso não diminui a gravidade do novo resultado, mas ajuda a evitar conclusões imprecisas.
A reportagem da Quatro Rodas também destaca que o modelo ensaiado é uma versão reestilizada do SUV vendido no Brasil, mas confirma as diferenças de fabricação e configuração.
O que falta saber antes de julgar o usado
Para atribuir uma nota ao Tiggo 3X brasileiro, seria necessário testar exatamente essa versão, com sua carroceria, seus airbags, seus cintos, seus módulos eletrônicos e sua especificação de produção. Também seria importante verificar o número de identificação do veículo e a equivalência entre componentes estruturais das versões chinesa e nacional.
- Um teste de colisão específico do Tiggo 3X produzido em Jacareí;
- Documentação técnica sobre a estrutura e os materiais usados na carroceria brasileira;
- Comparação dos sistemas de retenção, airbags e calibração eletrônica;
- Resultado sob o protocolo de 2026 ou uma avaliação independente equivalente.
Sem essas evidências, não é correto dizer que todo Tiggo 3X brasileiro teria exatamente o mesmo desempenho do Tiggo 2 Pro chinês. Também não seria prudente tratar as diferenças como garantia de que o nacional é mais seguro. O resultado permite afirmar que há um sinal de alerta relevante sobre a família de projeto, mas não fornece uma nota oficial para o usado fabricado no Brasil.
Conclusão
O zero estrela do Tiggo 2 Pro chinês não pode ser simplesmente transferido ao Tiggo 3X de Jacareí. O teste comprova falhas severas na configuração chinesa avaliada e sugere que o parentesco entre os modelos merece investigação, mas a segurança do usado brasileiro só poderá ser julgada com um teste ou documentação técnica específica da versão nacional.
