IPI Verde acaba em dezembro, mas imposto dos carros de 2027 segue indefinido

O comprador que pretende adquirir um carro em 2027 ainda não consegue calcular com segurança quanto pagará de imposto. O motivo é a transição entre o IPI Verde, cuja regulamentação atual vale até 31 de dezembro de 2026, e o Imposto Seletivo, tributo criado pela reforma tributária que terá regras específicas para veículos.

A indústria espera que as alíquotas sejam divulgadas em setembro, mas a própria Anfavea informou que ainda não teve acesso ao texto oficial. Por isso, a possibilidade de repetir os critérios ambientais atuais deve ser tratada como expectativa, e não como decisão já tomada pelo governo.

O que já está definido para o fim do IPI Verde

O Decreto nº 12.549, de 10 de julho de 2025, alterou as regras do IPI para automóveis e comerciais leves. A cobrança considera uma combinação de fatores, como fonte de energia, eficiência energética, potência, desempenho estrutural, tecnologias assistivas e reciclabilidade.

Na prática, cada critério pode aumentar, reduzir ou manter a alíquota-base. Veículos elétricos, por exemplo, recebem uma redução específica no critério relacionado à fonte de energia. Já modelos movidos exclusivamente a gasolina ou diesel têm acréscimos previstos nessa etapa de cálculo. O resultado final também depende da potência e do atendimento aos parâmetros de eficiência, segurança e reciclagem.

O ponto decisivo para 2027 é que essas regras estão limitadas expressamente ao período que termina em 31 de dezembro de 2026. O decreto não garante que os mesmos percentuais serão transferidos automaticamente para o Imposto Seletivo.

O texto oficial do Decreto nº 12.549/2025 detalha tanto os critérios quanto a data-limite de aplicação das regras atuais.

O que a lei criou — e o que ainda falta regulamentar

A Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, instituiu o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo dentro da reforma tributária. Portanto, a base legal do novo tributo já existe. No entanto, a lei não entrega, sozinha, a tabela final que permitirá saber qual será a carga aplicada a cada tipo de veículo em 2027.

Essa diferença é importante. A criação do imposto não equivale à definição das alíquotas. O governo ainda precisa estabelecer como o tributo será calculado, quais veículos estarão sujeitos a cada faixa e de que maneira os critérios ambientais serão incorporados à cobrança.

A Lei Complementar nº 214/2025 fornece a estrutura jurídica do Imposto Seletivo, mas não permite calcular hoje o preço final de um carro vendido em 2027.

Repetir os critérios não significa repetir a carga

A Anfavea espera que o Imposto Seletivo utilize, pelo menos durante um período inicial, uma lógica semelhante à do IPI Verde. A expectativa foi apresentada pelo presidente da entidade, Igor Calvet, que também afirmou ainda não ter visto o texto das alíquotas.

A reportagem da AutoData publicada em 9 de setembro de 2026 registra que a indústria espera a publicação das regras até o fim do mês e considera possível a manutenção temporária dos critérios do IPI Verde.

Mesmo que o governo mantenha os mesmos parâmetros de fonte de energia, eficiência e potência, isso não garante a repetição dos percentuais. O Imposto Seletivo pode trabalhar com uma alíquota-base diferente, outra forma de cálculo ou regras próprias de enquadramento. Assim, conhecer os critérios ambientais não basta para antecipar o valor total do imposto.

Reciclabilidade ainda é uma incógnita

A reciclabilidade é outro fator que impede uma projeção precisa. No IPI Verde, o decreto prevê reduções de dois ou um ponto percentual para veículos que atendam a determinados requisitos. Contudo, a aplicação prática depende de comprovação e de regras operacionais específicas.

Segundo a Anfavea, esses procedimentos ainda não foram completamente definidos pelo governo. Isso significa que duas versões com características semelhantes podem depender de documentação, certificação ou metodologia ainda não conhecida para receber o mesmo tratamento tributário.

Como o consumidor pode se preparar

Até a publicação oficial das alíquotas, o comprador deve evitar tratar qualquer estimativa como preço confirmado. Algumas medidas ajudam a reduzir a incerteza:

  • comparar propostas com validade e condições claramente registradas;
  • perguntar à concessionária se o preço considera o regime tributário vigente ou uma projeção para 2027;
  • observar o prazo de faturamento e entrega, não apenas a data da reserva;
  • considerar que versões com diferentes motores, potências e níveis de eficiência podem ter impactos tributários distintos;
  • aguardar a regulamentação caso a compra não seja urgente.

Em resumo, o comprador só poderá antecipar o preço dos carros de 2027 depois que o governo publicar as alíquotas do Imposto Seletivo e explicar como funcionará a avaliação de reciclabilidade. A continuidade dos critérios do IPI Verde é uma possibilidade acompanhada pela indústria, mas ainda não substitui a regra oficial.

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