As discussões sobre o Rádio AM em novos carros frequentemente começam com a pergunta: “Quando foi a última vez que você usou?” Embora essa seja uma indagação válida, muitos acreditam que a frequência de uso não determina a utilidade de um recurso, mas sim sua eficácia. Por isso, um novo projeto de lei está tramitando no Congresso, buscando garantir a presença do rádio AM em todos os novos veículos, independentemente da vontade dos fabricantes.
O projeto é conhecido como AM Radio for Every Vehicle Act e faz parte de uma proposta maior da Comissão de Energia e Comércio da Câmara, chamada Motor Vehicle Modernization Act of 2026. Há discussões sobre a possibilidade de que ele seja incorporado a outra proposta, o Build America 250 Act, que abrange diversos tópicos de transporte, incluindo programas de segurança nas estradas e reabilitação de pontes. Este último projeto foi introduzido em 18 de maio e avançou rapidamente na Comissão de Transporte e Infraestrutura da Câmara, recebendo um apoio bipartidário de 62 a 2. Embora ainda não tenha sido aprovado pela Câmara dos Representantes, o apoio ao projeto parece ser forte até o momento.
Essa não é a primeira vez que os legisladores tentam implementar uma obrigatoriedade para o rádio AM. Em 2023, um projeto de lei com o mesmo nome foi proposto, mas enfrentou forte oposição dos fabricantes de automóveis. A Alliance for Automotive Innovation, que representa marcas como Ford, VW e Toyota, emitiu uma resposta conjunta com o Center for Automotive Research, afirmando que os sistemas de alta voltagem dos veículos elétricos interferem na recepção do sinal AM. Além disso, mencionaram os altos custos como um fator decisivo para a eliminação do rádio AM, com receptores custando até 70 dólares cada, o que totalizaria 3,8 bilhões de dólares em custos para as montadoras até 2030.

Se o projeto puder ser vinculado ao Build America 250 Act, a chance de aprovação para a obrigatoriedade do rádio AM será significativamente maior. O apoio bipartidário é um fator crucial, assim como a urgência em aprovar a proposta antes de 30 de setembro, data em que expiram as atuais autoridades de financiamento para estradas e transporte sob a última lei de transporte. Se a Câmara, o Senado e o Presidente não aprovarem a proposta até essa data, o financiamento federal para estradas, pontes e programas de transporte poderá ser interrompido.
A principal objeção à inclusão do rádio AM nos veículos é o custo. No entanto, aqueles que defendem a obrigatoriedade do rádio AM apresentam uma série de argumentos a favor. Em vez de questionar a frequência de uso desse recurso, eles acreditam que a pergunta mais pertinente é: “O que você fará se as alternativas não funcionarem?” O entusiasmo por essa iniciativa legislativa se baseia, em grande parte, nessa questão: e se uma catástrofe natural eliminar todas as outras formas de comunicação, ou se uma crise governamental provocar um descontentamento generalizado? Nesse contexto, vale a pena economizar dinheiro, seja como fabricante ou consumidor, ao abrir mão do rádio AM?
A decisão agora está nas mãos de Washington.
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Via The Drive

