O programa Move Brasil – Táxi e Aplicativos passou a aceitar veículos novos de até R$ 200 mil, contra o limite anterior de R$ 150 mil. A mudança também ampliou a definição de carro híbrido elegível, incluindo combinações entre motor elétrico e propulsor a combustão abastecido com álcool, gasolina ou ambos.
A alteração foi oficializada por portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda, publicada em edição extra do Diário Oficial da União em 19 de agosto de 2026. O MDIC detalhou as novas regras do Move Brasil no dia seguinte.
O que muda para taxistas e motoristas de aplicativo
Na prática, o novo teto aumenta o número de carros que podem entrar no programa. Segundo o governo, o critério de preço passa a alcançar cerca de 88% do mercado brasileiro de veículos, ante aproximadamente 63% na regra anterior. A estimativa usa dados de emplacamentos da Fenabrave de 2025.
Isso significa que mais configurações de veículos compactos, sedãs e utilitários leves podem ficar dentro do limite, inclusive opções de categorias superiores de conforto. No entanto, o valor considerado é o registrado na nota fiscal. Portanto, acessórios, opcionais e eventuais diferenças de preço entre versões podem fazer um veículo ultrapassar o teto permitido.
A regra também deixa de restringir os híbridos a uma combinação específica de combustíveis. Agora, entram no conceito veículos que associam o motor elétrico a um motor a combustão movido a álcool, gasolina ou ao sistema flex, que aceita os dois combustíveis.
Mais híbridos não significa qualquer carro eletrificado
A ampliação favorece principalmente os híbridos convencionais e flex-híbridos que atendam aos critérios técnicos do programa. Esses veículos usam um motor elétrico para auxiliar o propulsor a combustão e, em determinadas situações, reduzir o consumo de combustível.
O programa mantém exigências de sustentabilidade e eficiência energética. Conforme dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) de 2026 citados pelo governo, os híbridos podem apresentar redução média próxima de 24% no consumo energético em comparação com versões convencionais equivalentes.
Esse número, porém, não representa uma economia igual para todos os motoristas. O resultado depende do trânsito, do tipo de percurso, da carga transportada, do estilo de condução e da disponibilidade de manutenção adequada. Além disso, a portaria amplia as categorias aceitas, mas não transforma automaticamente todos os modelos híbridos ou elétricos vendidos no Brasil em veículos elegíveis.
O gargalo continua no financiamento
O principal limite do Move Brasil não está apenas na quantidade de modelos disponíveis. O programa prevê até R$ 30 bilhões em crédito para a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativo, mas a adesão ficou abaixo da expectativa inicial do governo.
De acordo com a Agência Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal demonstraram maior disposição para conceder os financiamentos, enquanto os bancos privados participaram menos das operações. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo avalia formas de aumentar o interesse dessas instituições.
Esse ponto é decisivo porque o teto de R$ 200 mil apenas define quais veículos podem ser enquadrados. Ele não garante aprovação, taxa de juros específica ou financiamento integral. A instituição ainda pode analisar renda, histórico de crédito, entrada, capacidade de pagamento e os riscos associados à atividade profissional do cliente.
O que o motorista deve observar
- Confirmar se o valor final na nota fiscal permanece dentro do limite de R$ 200 mil;
- Verificar se a configuração escolhida atende aos critérios técnicos e de eficiência do programa;
- Consultar mais de uma instituição financeira, já que as condições podem variar;
- Calcular a parcela junto com seguro, revisões, pneus, impostos e eventuais períodos de menor faturamento;
- Checar se a concessionária possui operação ativa com o banco escolhido.
Também é importante separar a elegibilidade do veículo da aprovação do contrato. Um carro pode estar dentro das regras do Move Brasil e, ainda assim, não ser financiado para determinado candidato ou por determinada instituição.
O teto maior resolve o problema?
O novo limite amplia o acesso potencial e torna o programa mais compatível com a variedade atual do mercado brasileiro. A inclusão de híbridos com motor flex também pode aumentar as alternativas para quem busca reduzir o consumo sem depender exclusivamente de recarga elétrica.
Mesmo assim, a resposta à pergunta central é apenas parcialmente positiva. O teto de R$ 200 mil realmente amplia o grupo de veículos possíveis, mas o benefício só chega ao motorista se houver crédito disponível e condições competitivas. Enquanto a participação dos bancos privados continuar baixa, o programa poderá oferecer mais opções no papel do que financiamentos efetivamente aprovados.

